Dia quente, pestilento, sem porquê
Não consigo nem pensar no que fazer
Eis que, de repente, eu vejo tudo melhorar
Como se eu pudesse ouvir o copo me chamar
Matanza - O chamado do bar
Sim, a mais simples paixão da minha vida. Pode ser pilsen, weiss, boch ou malzbier. Pode ser Brahma, Skol, Sol ou Bohemia. Pode chamar de birra, bera, breja ou cerva. Aquela que me socorre em dias quentes e que me diverte nas noites tediosas é esse delicioso fermentado de cevada maltada chamado CERVEJA.
Criada, presumivelmente, pelos sumérios e fenícios, sendo seu processo de fermentação aperfeiçoado pelos egípcios, os pais da cerveja como a conhecemos atualmente, essa delícia é provavelmente a bebida alcólica mais antiga da história da humanidade. Sua importância histórica é inegável, e sua importância hoje, em churrascos e jogos de futebol, é ainda maior.
Mas agora, menos História e mais histórias...
Eu era um garotinho de 16 anos quando, pela primeira vez, provei o nada doce sabor do álcool. Na Slamp (quem conhece está rindo), com uma galerinha com quem nem falo mais direito. Voltei pra casa meio zimbado, fomos assaltados no caminho, mas tudo correu bem. Menos de um mês depois, Carrera, Raphan e eu estávamos no Extra e resolvemos comprar uma pinga barrilzinho. Gole vai, gole vem, detonamos a pinga. "Vamos comprar mais!", Carrera propôs, e fomos nós. Mas lá chegando, descobrimos que compramos a última! O que fazer, então? Vamos comprar uma garrafa de pinga Rosa! R$1,90 o litro!
O resto é história...
Cutting to the chase, eu só fui experimentar cerveja um pouco depois de já ter começado a beber. Estávamos no aniversário sei lá de quem na pizzaria, e o grande mestre Big, ao meu lado, bebericava uma bera. Pedi pra tomar um pouco e... odiei, mas lógico que disfarcei bem! O gosto era ruim, mas eu aguentava beber. "Yes!", eu pensei. "Algo que posso beber de buenas, cujo teor alcólico aguento! Agora sou um bebedor!" E aí eu comecei a me "forçar" a beber cerveja quando saía com meus amigos. Detestava, e tomava golinhos curtos, suprimindo uma careta a cada um xD
Eis que novamente o mestre Big entra na história. Peguei o hábito de sair com ele e mais uma galera em São Paulo quase todo fim-de-semana. Eles bebiam cerveja, e eu não era muito chegado ainda. Mas aí, um dia, eles compraram a cerveja Sol. Não essa porcaria que a gente agora acha em qualquer lugar, mas a mexicana. Leve, suave, saborosa... hum! Que delícia! "Essa cerveja eu bebo com prazer!", pensei. E eu até viciei alguns amigos nela, como eu mesmo fui viciado.
E o tempo passa... passa... e eu bebendo Sol sempre. Algumas vezes eu me sujeitava a beber outras marcas e, tendo um paladar já mais apurado para cervejas, bebia de buenas as cervejas ruins, e bebia com certo prazer marcas como Brahma e Bohemia. Até que chegou um belo dia que eu me dei conta de que sabia diferenciar cervejas pelo sabor. Que eu sabia que a Miller tinha alto teor de lúpulo só de provar. Que eu apreciava o forte amargor da Heineken tanto quanto a densidade da Serramalte. Que eu não comprava mais vodka pra ficar lokão, mas sim um six-pack de Brahma pra saborear com amendoim. E que eu tinha, lenta e sutilmente, me tornado um grande amante de cerveja!
Alguns anos depois eu vim a conhecer a Budweiser, que tornar-se-ia minha cerveja favorita, e assim o é até hoje. Só consigo comprar no bar ao lado da minha faculdade, e mal posso esperar pela AmBev resolver comercializá-la direito. Aí comprarei com muito mais frequência.
Hoje eu bebo cerveja sempre, pra tudo, como quem bebe refrigerante. Jogando cartas, vendo o futebol, relaxando na piscina, na praia, em festas... pra que comprar vodka ou pinga pra ficar bem loko, se eu posso tomar litros e litros de cerveja, ficando bêbado do mesmo jeito e apreciando suas delícias no processo?
Está no sangue. Os tchecos são os maiores bebedores de cerveja do mundo, muito mais até que os alemães! Eu não saberia dizer quantos litros eu bebo por ano... bebo uma média de 3 a 5 litros por semana. Uma vez, e há testemunhas, eu fui a uma cervejada da faculdade de Direito, onde eu comprei uma caneca de 500ml. Até onde eu me lembro (pois depois de um tempo não lembro de mais nada xD) eu já tinha bebido quase 30 canecas. Ou seja, quinze litros! Deve ter sido mais do que isso, mas como já estava bêbado demais pra lembrar, nem conto. Eu falei isso pro meu pai, com certo orgulho de minha capacidade... e ele, modestamente, com certo embaraço, me revelou "Em uma Oktoberfest, num dia, eu bebi 22 litros só de Brahma..." Filho de peixe, peixinho é.
E agora dá licença que tá o maior calor... escrevi esse texto bebendo, e vou tomar mais uma Brahma geladinha!
domingo, 22 de março de 2009
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